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quinta-feira, novembro 17, 2016

Acompanhar

Ela sai do edifício onde trabalha e lá está ele apoiado, como quem não quer nada, na parede do metrô. Ela sorri e ele sorri de volta ao encontrar seu olhar, se move em sua direção cheio de ansiedade e a abraça forte, apaixonadamente. Um beijo brota em seu pescoço e ela ri do calafrio que percorre suas costas.

"Vim te acompanhar!", e de mãos dadas eles descem as escadas, sentam-se juntos no vagão mais distante e contam das coisas do dia. Ele a observa tocar os cabelos longos enquanto conversam, seus olhos se encontrando e dizendo o que suas bocas, cúmplices, não precisam dizer.

Pega suas mãos de pele macia e as massageia suavemente — ela precisa relaxar do dia cansativo de trabalho para encarar o que ainda vem. Fecha os olhos e sente a tensão indo embora, o corpo ficando leve e a mente esvaziando.. nada mais importa, nada..

Chegando a seu destino, ele a acompanha o mais que pode e "até logo, bonita.. espero te ver em breve!", retribuído por um sorriso e um olhar que respondem num instante às perguntas mais difíceis. Ela vai embora, tranquila. Ele a acompanha com o olhar e a vê desaparecer.

Volta-se, vai embora.

Com ela no pensamento.. com ela no coração.

Mais uma vez ele a fez sorrir e esquecer, pelo menos por um momento, de todas as suas preocupações.

Tudo o que queria.

quinta-feira, novembro 07, 2013

Renascer

À trêmula luz das velas os cabelos ruivos, fogo de palha, soltos sobre a face da moça. Serena.. o toque do nylon úmido, tin-tilintar das gotas lá fora nos ramos da mata fechada, sinfonia de cigarras e coral de lobos em gracejo à noite. O traçar das linhas da meia sombra nas curvas dos seios cintura quadril coxa e por entre as pernas, dedos curiosos outros entrelaçados nos fogos-fios incandescentes. Um toque leve na nuca, calor nos lábios e escuridão, apenas uma lembrança da luz trêmula. Tempo. Tudo. Nada. Amor e ódio. Uivos para a lua, guerra, paz e uma gota de suor quente na base dos seios no tecido úmido do lençol. Tocando outros seios num corpo só entrelaçado, carícias trocadas de leve pelas pernas.

Serenas, nuas nos fios do lençol neve, branco, alvo, uma gota, avermelhado, outra, mais uma, maior e a mancha de sangue vivo. Inocência morta, paixão em fogo vivo, renascimento em outra mente corpo mundo.

Ela nunca mais será, nem quer ser, a mesma.
Que o fogo da vida a consuma.

segunda-feira, julho 08, 2013

Making love ~Seeley

"Here we are, all of us — basically lone, separate creatures — just circling around each other, searching for the slightest hint of a real connection.

Some look in the wrong places.. some, they just give up hope 'cause in their mind they think "Oh, there's nobody out there for me". But all of us, we keep trying over and over again.

Why? Because every once in a while.. every once in a while two people meet and there's that spark, and yes, he might be handsome and she might be beautiful, and maybe that's all they see at first. But making love.. making love.. that's when two people become one."

~ Seeley

quarta-feira, abril 24, 2013

Quando o tempo para

Ao toque daquelas mãos em suas costas nuas, a garota, deitada de bruços sente um arrepio, mas aquele arrepio gostoso que a faz tremer e querer mais, e mais.. de repente seu sutiã está solto, uma leve faixa de pele tão sedosa que os dedos se demoram ali, acariciando de um lado ao outro, examinando a já quase oculta marca de sol. Repetidamente, mas cada vez como se fosse a primeira.. ela então sente a carícia subindo, tocando-lhe as asas, juntando-se e aquecendo seu pescoço, sua nuca, correndo então aos ombros e desce vagarosamente pelos braços já relaxados, estendidos ao lado do corpo.. as mãos percorrem sua pele lentamente, sentindo a tensão se esvaindo ao toque que vai chegando e envolvendo seus punhos, com firmeza mas sempre delicadamente e ela sabe que está completamente entregue.

Por um momento, nada.. então sua cintura é envolvida por um toque forte fraco, indeciso preciso e todas as preocupações daquele dia já se foram assim como toda a vontade de algum dia sair da cama, dos braços fortes que movem-se determinados a fazê-la sentir-se pluma leve, dos dedos pressionando-a forte para baixo, para longe do mundo real.. às vezes ela sente que as mãos roçam de leve seus seios - será de propósito? e ela não sabe nem liga, pois tudo o que sente agora é paz, aquele toque delicioso que agora desce um pouco abaixo da cintura, um pouco mais e envolve completamente sua bunda, única parte de seu corpo ainda escondida, ela descobre, e aquelas mãos traçam as beiradas da calcinha vermelha, numa brincadeira de vai-não-vai passando de leve pelo lado de dentro, sempre pressionando com a força exata para fazê-la tremer, sentir-se livre de tudo e todos.. então elas continuam descendo, centímetro a centímetro de pele aveludada sendo cuidadosamente descoberto, e aquele beijo repentino em sua coxa esquerda a faz explodir de tesão, mas era só isso, só um gosto de algo que ainda se demora e agora suas panturrilhas sentem aquele aperto gostoso que continua aos poucos descendo até os tornozelos e.. nada novamente.

Aturdida, ela se pergunta se acabou, começa a virar-se para trás e então o sente, deitando-se sobre ela, seu corpo pressionando o dela e ele sente a pele macia na sua, e o cheiro de seus cabelos e o sabor do beijo que rouba-lhe no pescoço, e então.. a garota vibra, e aquela sensação em sua nuca lhe diz que nada mais importa, que o tempo parou só para ela, só para aquele toque que lhe causa arrepios, mas aquele arrepio gostoso que a faz tremer e querer mais, e mais..

e ela sabe que está completamente entregue.

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

Medo, medo, vasto medo

E o tempo todo ele pensava se deveria beijá-la.. segurando sua mão, acariciando seus cabelos ou sentindo seus dedos trançados.. mas afinal, não conseguiu fazer nada.

terça-feira, novembro 06, 2012

História ainda instante

Pela janela, o canto dos pássaros e o sol da manhã. Seu corpo, desnudo, evidente sob o lençol fino em curvas pequenas, perfeitas.. Os cabelos escuros, compridos no travesseiro, sobre os olhos adormecidos. Tanto encanto, belo, espanto. Toque.. e a sensação da seda, correndo seu braço com os dedos.. paz, e o desejo do tempo congelado, só neste instante, momento eterno.

Mas o tempo não para, e o instante não é mais instante e sim história. Na ponta do lápis.

Na ponta da língua, nos lábios um beijo. Só meu, seu, nosso. E ele não some. Mesmo história, não some.

Ainda hoje.. ainda estou com o seu beijo.