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quinta-feira, novembro 17, 2016

Cinzas

 Então você disse
  "como é que acabamos juntos?";
     como se eu soubesse...

        foi tudo tão rápido;
          perfeito, como é perfeito
            nosso encontro, tão mágico...

e de repente cinzas.

quinta-feira, novembro 07, 2013

Renascer

À trêmula luz das velas os cabelos ruivos, fogo de palha, soltos sobre a face da moça. Serena.. o toque do nylon úmido, tin-tilintar das gotas lá fora nos ramos da mata fechada, sinfonia de cigarras e coral de lobos em gracejo à noite. O traçar das linhas da meia sombra nas curvas dos seios cintura quadril coxa e por entre as pernas, dedos curiosos outros entrelaçados nos fogos-fios incandescentes. Um toque leve na nuca, calor nos lábios e escuridão, apenas uma lembrança da luz trêmula. Tempo. Tudo. Nada. Amor e ódio. Uivos para a lua, guerra, paz e uma gota de suor quente na base dos seios no tecido úmido do lençol. Tocando outros seios num corpo só entrelaçado, carícias trocadas de leve pelas pernas.

Serenas, nuas nos fios do lençol neve, branco, alvo, uma gota, avermelhado, outra, mais uma, maior e a mancha de sangue vivo. Inocência morta, paixão em fogo vivo, renascimento em outra mente corpo mundo.

Ela nunca mais será, nem quer ser, a mesma.
Que o fogo da vida a consuma.

quarta-feira, abril 24, 2013

Quando o tempo para

Ao toque daquelas mãos em suas costas nuas, a garota, deitada de bruços sente um arrepio, mas aquele arrepio gostoso que a faz tremer e querer mais, e mais.. de repente seu sutiã está solto, uma leve faixa de pele tão sedosa que os dedos se demoram ali, acariciando de um lado ao outro, examinando a já quase oculta marca de sol. Repetidamente, mas cada vez como se fosse a primeira.. ela então sente a carícia subindo, tocando-lhe as asas, juntando-se e aquecendo seu pescoço, sua nuca, correndo então aos ombros e desce vagarosamente pelos braços já relaxados, estendidos ao lado do corpo.. as mãos percorrem sua pele lentamente, sentindo a tensão se esvaindo ao toque que vai chegando e envolvendo seus punhos, com firmeza mas sempre delicadamente e ela sabe que está completamente entregue.

Por um momento, nada.. então sua cintura é envolvida por um toque forte fraco, indeciso preciso e todas as preocupações daquele dia já se foram assim como toda a vontade de algum dia sair da cama, dos braços fortes que movem-se determinados a fazê-la sentir-se pluma leve, dos dedos pressionando-a forte para baixo, para longe do mundo real.. às vezes ela sente que as mãos roçam de leve seus seios - será de propósito? e ela não sabe nem liga, pois tudo o que sente agora é paz, aquele toque delicioso que agora desce um pouco abaixo da cintura, um pouco mais e envolve completamente sua bunda, única parte de seu corpo ainda escondida, ela descobre, e aquelas mãos traçam as beiradas da calcinha vermelha, numa brincadeira de vai-não-vai passando de leve pelo lado de dentro, sempre pressionando com a força exata para fazê-la tremer, sentir-se livre de tudo e todos.. então elas continuam descendo, centímetro a centímetro de pele aveludada sendo cuidadosamente descoberto, e aquele beijo repentino em sua coxa esquerda a faz explodir de tesão, mas era só isso, só um gosto de algo que ainda se demora e agora suas panturrilhas sentem aquele aperto gostoso que continua aos poucos descendo até os tornozelos e.. nada novamente.

Aturdida, ela se pergunta se acabou, começa a virar-se para trás e então o sente, deitando-se sobre ela, seu corpo pressionando o dela e ele sente a pele macia na sua, e o cheiro de seus cabelos e o sabor do beijo que rouba-lhe no pescoço, e então.. a garota vibra, e aquela sensação em sua nuca lhe diz que nada mais importa, que o tempo parou só para ela, só para aquele toque que lhe causa arrepios, mas aquele arrepio gostoso que a faz tremer e querer mais, e mais..

e ela sabe que está completamente entregue.

segunda-feira, junho 11, 2012

Olhares

Na despedida um beijo olhar carinho, saudade e desejo entrelaçados.

Um passo, dois, distância abismo que se abre entre nós. Observo.
Três, quatro, já a voz não alcança.
Cinco através do portão.
Seis, sete.. Sete e tudo se desfaz calor. Sete toda barreira rui. Sete, olhares cruzados. Abismo? Fechado.

Fugido um olhar, uma paixão, gesto sem voz e lugar. Caminho nunca visto. Escapa a saudade, fica a sempre certeza. O sorriso pequeno e sincero reflete lábios olhos mentes.

Feliz. Nada além do amanhã, nada mais importa.
Completo. Cativo.

Ela se vai, mas nada mais importa.
Só espero.. pelo próximo olhar.

domingo, junho 10, 2012

Intensidade

A água quente cai, pingando dos cabelos curtos, cada gota descendo o pescoço em uma corrida frenética, escorrendo e esfregando a pele, limpando toda impureza.
Paixão.
Tranquilidade.

Através da janela um berro de dor, alto, adulto, atravessando a espinha dorsal como a lança de um cavaleiro em combate, arrastando a tranquilidade pelo ralo.
Ânsia.
Pavor.

Outro grito mais agudo, criança, perfurando o coração e dobrando os joelhos como se trespassados por pelas flechas de um exímio arqueiro, leva o pavor embora.
Impotência.
Desespero.

E o silêncio repentino, na mente mil imagens sons gestos faces se formando, a dúvida, a dádiva da vida se encerrando, a dádiva da morte se erguendo imponente.
Remorso.
Aceitação.

Então risadas.
Surpresa e raiva.

Tranquilidade.
A vida segue em frente, segue em paz.