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quinta-feira, novembro 17, 2016

Acompanhar

Ela sai do edifício onde trabalha e lá está ele apoiado, como quem não quer nada, na parede do metrô. Ela sorri e ele sorri de volta ao encontrar seu olhar, se move em sua direção cheio de ansiedade e a abraça forte, apaixonadamente. Um beijo brota em seu pescoço e ela ri do calafrio que percorre suas costas.

"Vim te acompanhar!", e de mãos dadas eles descem as escadas, sentam-se juntos no vagão mais distante e contam das coisas do dia. Ele a observa tocar os cabelos longos enquanto conversam, seus olhos se encontrando e dizendo o que suas bocas, cúmplices, não precisam dizer.

Pega suas mãos de pele macia e as massageia suavemente — ela precisa relaxar do dia cansativo de trabalho para encarar o que ainda vem. Fecha os olhos e sente a tensão indo embora, o corpo ficando leve e a mente esvaziando.. nada mais importa, nada..

Chegando a seu destino, ele a acompanha o mais que pode e "até logo, bonita.. espero te ver em breve!", retribuído por um sorriso e um olhar que respondem num instante às perguntas mais difíceis. Ela vai embora, tranquila. Ele a acompanha com o olhar e a vê desaparecer.

Volta-se, vai embora.

Com ela no pensamento.. com ela no coração.

Mais uma vez ele a fez sorrir e esquecer, pelo menos por um momento, de todas as suas preocupações.

Tudo o que queria.

terça-feira, março 16, 2010

sábado, fevereiro 13, 2010

É mágica, não nome

É um sentimento bom e ruim. É algo que não devia ser sentido pois significa que se está separado, mas que torna as pessoas que o sentem mais unidas após passar por tal.
Eu gosto da saudade. Gosto da idéia de sentir saudades dela. Mas no momento, eu daria tudo para poder dar-lhe um abraço e um beijo bem fortes.

Um dia uma noite uma hora
parecem eternidade
sem seu abraço.

Tal vício incontrolável, por ti
como foi que me deixei
dominar assim?

A saudade bate forte, insiste
em me lembrar de você,
do seu beijo caliente

e quero aqui todo seu carinho,
deitar e olhar estrelas,
te fazer cafuné

até adormecermos juntos
como naquela noite
em que te amei
pela primeira vez.

Poema sem nome.
Porque a saudade não devia ter nome, e sim mágica.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Até a eternidade

"Esta será uma noite que eu nunca vou esquecer..."
"Misto entre sonho e realidade."

Não vou dizer mais nada. Foi nossa, e para sempre apenas nossa será.

E de ninguém mais...

segunda-feira, dezembro 07, 2009

As cidades invisíveis ¹

AS CIDADES E A MEMÓRIA 5
"Em Maurília, o viajante é convidado a visitar a cidade ao mesmo tempo em que observa uns velhos cartões-postais ilustrados que mostram como esta havia sido: a praça idêntica mas com uma galinha no lugar da estação de ônibus, o coreto no lugar do viaduto, duas moças com sombrinhas brancas no lugar da fábrica de explosivos. Para não decepcionar os habitantes, é necessário que o viajante louve a cidade dos cartões-postais e prefira-a à atual, tomando cuidado, porém, em conter seu pesar em relação às mudanças nos limites de regras bem precisas: reconhecendo que a magnificência e a prosperidade da Maurília metrópole, se comparada com a velha Maurília provinciana, não restituem uma certa graça perdida, a qual, todavia, só agora pode ser apreciada através dos velhos cartões-postais, enquanto antes, em presença da Maurília provinciana, não se via absolutamente nada de gracioso, e ver-se-ia ainda menos hoje em dia, se Maurília tivesse permanecido como antes, e que, de qualquer modo, a metrópole tem este atrativo adicional - que mediante o que se tornou pode-se recordar com saudades daquilo que foi.
Evitem dizer que algumas vezes cidades diferentes sucedem-se no mesmo solo e com o mesmo nome, nascem e morrem sem se conhecer, incomunicáveis entre si. Às vezes, os nomes dos habitantes permanecem iguais, e o sotaque das vozes, e até mesmo os traços dos rostos; mas os deuses que vivem com os nomes e nos solos foram embora sem avisar e em seus lugares acomodaram-se deuses estranhos. É inútil querer saber se estes são melhores do que os antigos, dado que não existem nenhuma relação entre eles, da mesma forma que os velhos cartões-postais não representam a Maurília do passado mas uma outra cidade que por acaso também chamava Maurília."
Italo Calvino

domingo, dezembro 06, 2009

Nada para se fazer é sempre algo para se fazer

Mesmo que seja dar um passeio pela USP à luz da Lua; colher um lírio de dentro do carro, coitadinho; chegar no monumento em frente ao Ipen, olhar para cima, para aquele céu cheio de nuvens revoltas, e contrastar as colunas enormes com o céu cinzentazul; confundir o sexo das esculturas; parar o carro para o morcego pousado no meio da pista; descobrir que o morcego é uma coruja, e estacionar para admirar esse animal tão pequenino e curioso; correr em meio aos lírios para (es)colher o mais bonito; desejar poder tirar fotos de todas essas coisas, e não poder porque é noite e o celular não consegue compensar a luz; fazer a promessa um novo passeio com uma câmera de verdade; deitar e observar um céu estrelado se apagar; não perder nenhum segundo desta saga incrível; pôr um anjo para dormir e niná-lo até o sono bater; sair de fininho para não acordá-lo.

Sempre tem algo pra se fazer.
But when it's after 2am, just go to sleep.

sábado, novembro 28, 2009

Para: Salles, Miriam

Eu não falei nada na hora porque você estava estressada e não ia nem ouvir o que eu tinha a dizer. Mas isto é o que eu acho: que meu motivo pra não conversar mais tanto com você quanto quando criança é principalmente que quase todas as vezes que você vinha falar comigo durante minha adolescência era ou para dar uma bronca ou para mandar fazer algo. E hoje em dia eu tenho medo de falar pois qualquer coisa que eu fale pode se tornar uma bronca ou virar uma explosão de raiva de sua parte, seja contra mim ou minhas irmãs, ou meu pai. Ou contra si mesma, o que é ainda pior do que todas as outras.
Eu tenho minha culpa nisso também então não se martirize, caramba. Hoje a Talita saiu da mesa, tenho certeza, não porque ela não aguentava ouvir o que você dizia, mas sim porque ela já estava com tudo aquilo na cabeça, pesando, culpando, e você só estava piorando tudo, muito mais do que é suportável. Ou você realmente acha que ela não dava a mínima, ainda mais pra algo que o Alex trouxe pra ela?
Não quero te fazer sentir culpada. Quero tentar te fazer entender o que passou na minha cabeça, e talvez na das meninas.

Boa noite...

segunda-feira, dezembro 20, 2004

Depois do início...

... vem tudo o que pode vir. Até que sse chega ao final... que por sssinal, espero que essteja bem longe. Ssobre o que posso esscrever hoje?

O natal... por que essa celebração tão importante virou um maldito ritual capitalissta? QUEM foi o desgraçado que fez issso..? Um dia feito para as pessoass sserem sssinceras, sse amarem, ssse conhecerem de verdade, estarem juntas umas das outrass, jantarem com a família uma refeição gostosa, reatar oss laços e aliançasss... com o passar dos anoss, esse dia tornou-se uma esspera incessante pelos presssentes, uma competição por quem ganha maiss presssentes ou o presente maiss caro e maiss moderno.
Raramente vejo alguma família na qual alguém se vissta de Papai-Noel para distribuir oss presentess e contar hissstóriass, nem há mais crianças que acreditem em Papai-Noel, messmo as maiss novas já não acreditam que exissta um velhinho gordo de barbas brancass e roupas vermelhasss que dessce pela chaminé, coloca oss presentes no pé da árvore de natal e nass meiass penduradas na lareira, bebe o leite e come os bisscoitos, deixadoss como agradecimento, e vai embora no trenó de renass, guiado pelo Rudolf. Nem se esscreve mais cartinhas a ele pedindo algo que sse queira muito!
Não me conformo com como o mundo capitalista conssegue dessstituir ass coisssas de seu significado, e com como as pesssoas deixam issso acontecer. Não aguento mais essse mundo ssem sentido, ssem ssentimento...

Abraçoss.