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quinta-feira, novembro 07, 2013

Renascer

À trêmula luz das velas os cabelos ruivos, fogo de palha, soltos sobre a face da moça. Serena.. o toque do nylon úmido, tin-tilintar das gotas lá fora nos ramos da mata fechada, sinfonia de cigarras e coral de lobos em gracejo à noite. O traçar das linhas da meia sombra nas curvas dos seios cintura quadril coxa e por entre as pernas, dedos curiosos outros entrelaçados nos fogos-fios incandescentes. Um toque leve na nuca, calor nos lábios e escuridão, apenas uma lembrança da luz trêmula. Tempo. Tudo. Nada. Amor e ódio. Uivos para a lua, guerra, paz e uma gota de suor quente na base dos seios no tecido úmido do lençol. Tocando outros seios num corpo só entrelaçado, carícias trocadas de leve pelas pernas.

Serenas, nuas nos fios do lençol neve, branco, alvo, uma gota, avermelhado, outra, mais uma, maior e a mancha de sangue vivo. Inocência morta, paixão em fogo vivo, renascimento em outra mente corpo mundo.

Ela nunca mais será, nem quer ser, a mesma.
Que o fogo da vida a consuma.

domingo, julho 07, 2013

Keep on tryin'

Eu tenho bebido ultimamente — talvez até um pouco demais — e queria confiar a você todas as minhas verdades, mas não sei como te alcançar.. Eu fico tão tranquilo quando tenho a oportunidade de te ver sorrir, por isso vou continuar tentando.. Vou ser bem sincero, não posso mais mentir e estou tão cansado de chorar.. que só tem uma coisa que eu posso fazer. Tenho que encontrar um jeito de te convencer.. de que é sempre só você.

quinta-feira, junho 06, 2013

A lua me chama

Tive aquela sensação de novo. Aquele grito que sobe pela garganta, e quer sair.. mas não em palavras, não em vocábulos compreensíveis pelos seres humanos. É uma voz, algo que vem de dentro, do meu cerne, do meu sangue. Está no sangue das minhas irmãs também.. irrompendo como um grito de guerra, como um chamado primitivo para o que tem de mais animalesco em mim. De mais visceral..

Não espero que muitos compreendam, acho que poucos têm essa necessidade. É, é uma necessidade, o que significa que eu não conseguiria viver sem isso. De tempos em tempos não tenho como resistir.. e nem quero. Nem preciso. Eu solto o que está preso dentro de mim e.. me liberto completamente. Da vida, das pessoas, dos problemas.. das amarras da sociedade, e mesmo que seja só por alguns instantes, é suficiente..

Volto com o espírito renovado. E pronto pra suportar a vida e tudo o que acontece ao meu redor. Tudo com o qual meu lado racional não sabe lidar..

A lua me chama. Não precisa estar cheia, só precisa estar no céu.

Como é bom uivar para a lua..

sexta-feira, maio 31, 2013

From time to time

Sometimes I feel like I have a lot of friends
and sometimes, like I'm all alone.

Sometimes I feel like I'm mad and sad
and sometimes, like I'm happier than ever.

Sometimes I feel like I do a lot of things
and sometimes, like nothing I do matters.

Sometimes I feel like I'm Dr. Jekyll and Mr. Hyde
and sometimes, like I'm just being myself.

Sometimes I feel like I'm beautiful
and sometimes, like I'm horribly ugly.

Sometimes I feel like I'm living poorly
and sometimes, like I'm having the time of my life.

Sometimes I feel like creating wonders
and sometimes, like destroying something beautiful.

Sometimes I feel like I have all I need
but always, all I need is you.
But you're not around..

sexta-feira, maio 24, 2013

Das palavras

Me acho no limbo, perdido entre o agora e o depois.
Suspenso como um clone esperando pra ser animado.

Me sinto inútil, pois achei que tinha feito tudo certo,
que aquelas tardes juntas viriam a ser mais, e mais.

Desamparado, sem saber se vou, volto, ou nenhum dos dois.
Depois de tudo o que passamos, existe algo, ou estou errado?

Arrependido, pois minha cautela foi que te afastou
e te perdi então pra algum outro que te fez sorrir.

Me sinto triste, pois os anos passam e eu ainda espero,
e não te vejo radiante ao falar dos outros, nem um bocado.

E quando me perguntam por que não te esqueço,
não sei dizer. Não há palavras que sirvam de resposta.

Tudo que sei é que você mora no meu coração,
e que mesmo se tudo parece em vão.. é impossível.

Das palavras, impossível é a única que me vem, que serve
pra responder a essa questão tão simples e tão.. dura.

Mais fácil suportar não ser pra você o mesmo que você é pra mim
em silêncio, mas ao seu lado.
Porque é impossível simplesmente seguir adiante.

quarta-feira, abril 24, 2013

Quando o tempo para

Ao toque daquelas mãos em suas costas nuas, a garota, deitada de bruços sente um arrepio, mas aquele arrepio gostoso que a faz tremer e querer mais, e mais.. de repente seu sutiã está solto, uma leve faixa de pele tão sedosa que os dedos se demoram ali, acariciando de um lado ao outro, examinando a já quase oculta marca de sol. Repetidamente, mas cada vez como se fosse a primeira.. ela então sente a carícia subindo, tocando-lhe as asas, juntando-se e aquecendo seu pescoço, sua nuca, correndo então aos ombros e desce vagarosamente pelos braços já relaxados, estendidos ao lado do corpo.. as mãos percorrem sua pele lentamente, sentindo a tensão se esvaindo ao toque que vai chegando e envolvendo seus punhos, com firmeza mas sempre delicadamente e ela sabe que está completamente entregue.

Por um momento, nada.. então sua cintura é envolvida por um toque forte fraco, indeciso preciso e todas as preocupações daquele dia já se foram assim como toda a vontade de algum dia sair da cama, dos braços fortes que movem-se determinados a fazê-la sentir-se pluma leve, dos dedos pressionando-a forte para baixo, para longe do mundo real.. às vezes ela sente que as mãos roçam de leve seus seios - será de propósito? e ela não sabe nem liga, pois tudo o que sente agora é paz, aquele toque delicioso que agora desce um pouco abaixo da cintura, um pouco mais e envolve completamente sua bunda, única parte de seu corpo ainda escondida, ela descobre, e aquelas mãos traçam as beiradas da calcinha vermelha, numa brincadeira de vai-não-vai passando de leve pelo lado de dentro, sempre pressionando com a força exata para fazê-la tremer, sentir-se livre de tudo e todos.. então elas continuam descendo, centímetro a centímetro de pele aveludada sendo cuidadosamente descoberto, e aquele beijo repentino em sua coxa esquerda a faz explodir de tesão, mas era só isso, só um gosto de algo que ainda se demora e agora suas panturrilhas sentem aquele aperto gostoso que continua aos poucos descendo até os tornozelos e.. nada novamente.

Aturdida, ela se pergunta se acabou, começa a virar-se para trás e então o sente, deitando-se sobre ela, seu corpo pressionando o dela e ele sente a pele macia na sua, e o cheiro de seus cabelos e o sabor do beijo que rouba-lhe no pescoço, e então.. a garota vibra, e aquela sensação em sua nuca lhe diz que nada mais importa, que o tempo parou só para ela, só para aquele toque que lhe causa arrepios, mas aquele arrepio gostoso que a faz tremer e querer mais, e mais..

e ela sabe que está completamente entregue.

terça-feira, novembro 06, 2012

História ainda instante

Pela janela, o canto dos pássaros e o sol da manhã. Seu corpo, desnudo, evidente sob o lençol fino em curvas pequenas, perfeitas.. Os cabelos escuros, compridos no travesseiro, sobre os olhos adormecidos. Tanto encanto, belo, espanto. Toque.. e a sensação da seda, correndo seu braço com os dedos.. paz, e o desejo do tempo congelado, só neste instante, momento eterno.

Mas o tempo não para, e o instante não é mais instante e sim história. Na ponta do lápis.

Na ponta da língua, nos lábios um beijo. Só meu, seu, nosso. E ele não some. Mesmo história, não some.

Ainda hoje.. ainda estou com o seu beijo.

sexta-feira, julho 06, 2012

Before the night is through

I don't know who you think you are
but before the night is through..
I wanna do bad things with you..

I don't know what you've done to me
but I know this much is true..
I wanna do bad things with you..

I wanna do real bad things with you..!

segunda-feira, junho 11, 2012

Olhares

Na despedida um beijo olhar carinho, saudade e desejo entrelaçados.

Um passo, dois, distância abismo que se abre entre nós. Observo.
Três, quatro, já a voz não alcança.
Cinco através do portão.
Seis, sete.. Sete e tudo se desfaz calor. Sete toda barreira rui. Sete, olhares cruzados. Abismo? Fechado.

Fugido um olhar, uma paixão, gesto sem voz e lugar. Caminho nunca visto. Escapa a saudade, fica a sempre certeza. O sorriso pequeno e sincero reflete lábios olhos mentes.

Feliz. Nada além do amanhã, nada mais importa.
Completo. Cativo.

Ela se vai, mas nada mais importa.
Só espero.. pelo próximo olhar.

quarta-feira, maio 30, 2012

Antes dois

Noite de festa, de luzes e música. Ele sabe que alguém o espera e, ansioso, sai de fininho para a rua. Ninguém exceto o guarda noturno vê sua fuga. Acelera, precisa atravessar uma cidade inteira para encontrá-la, mas não se importa. Há coisas pelas quais sacrificaria toda a sua sanidade e esta é, sem sombra de dúvida, uma delas. Um som quase inaudível chama sua atenção e na tela de seu celular, um sorriso. Só um sorriso e, no entanto, era tudo de que precisava..

Não vê uma campainha. Tenta o portão e ele cede, se abrindo com um leve rangido. Encontros inesperados o seguram por minutos que parecem não acabar. Enfim mais alguns degraus, então aquele sorriso pequeno, sincero, e um abraço caloroso. Ele sente seu toque suave, suas mãos nas dele, levando-o. Ela conduz seu corpo e ele não vê nada além dela.

Sentado. Uma brincadeira, um leve toque em seus cabelos. Uma sombra sobre seus olhos e, de repente, um. Somente um. Silêncio. Sedosos, lábios de.. o toque de suas mãos.. veludo. Nada no mundo pode tirá-los do transe apaixonado, da fusão perfeita que envolve seus corpos. Música, luz e festa. Numa explosão infinita, de magia e cores.

Antes dois, agora um.
Encontro perfeito.

quarta-feira, maio 09, 2012

Bom dia

Olhos que se abrem tentando fechar-se no mesmo instante. Um travesseiro macio que não é o seu, e algo pesando sobre seu braço direito. Ao redor, um edredon quente que também não é o seu, assim como a mesinha de cabeceira colonial, o lustre de cristais e o armário de madeira maciça. Não há os posters de seus heróis, mas de Marilyn Monroe e outras famosas da mesma época. Extremamente agradável, combinando perfeitamente com a parede escurecida. A mulher ao seu lado, linda, com um cigarro aceso nos lábios e um olhar misterioso, fixo nas inúmeras estrelas pintadas no teto.


Ela sorri e diz: "bom dia.."

segunda-feira, março 22, 2010

Ao cair da noite

Quando a noite cai,
seu beijo abraço carinho:
tudo o que eu mais quero.

domingo, dezembro 13, 2009

Vontades

Às vezes eu simplesmente sinto vontade

de andar, de correr e de tomar chuva,
de voar, de cair e de pular corda,
de pensar, de sumir, de não ter razão,
de chutar, de socar, de ser sem noção,

de cantar, escrever, ver uma pintura,
de reler um bom livro, ver uma escultura,
de parar, te olhar, de pegar sua mão,
de abraçar, te guardar no meu coração,

de deitar, levantar, fazer travessura,
de pular, me esfolar, ser essa loucura,
de mirar as estrelas, ou é ilusão?
De te ver, te querer, sentir essa paixão.

segunda-feira, dezembro 07, 2009

As cidades invisíveis ²

AS CIDADES E AS TROCAS 2
"Em Cloé, cidade grande, as pessoas que passam pelas ruas não se reconhecem. Quando se vêem, imaginam mil coisas a respeito umas das outras, os encontros que poderiam ocorrer entre elas, as conversas, as surpresas, as carícias, as mordidas. Mas ninguém se cumprimenta, os olhares se cruzam por um segundo e depois se desviam, procuram outros olhares, não se fixam.
Passa uma moça balançando uma sombrinha apoiada no ombro, e um pouco das ancas, também. Passa uma mulher vestida de preto que demonstra toda a sua idade, com os olhos inquietos debaixo do véu e os lábios tremulantes. Passa um gigante tatuado; um homem jovem com os cabelos brancos; uma anã; duas gêmeas vestidas de coral. Corre alguma coisa entre eles, uma troca de olhares como se fossem linhas que ligam uma figura à outra e desenham flechas, estrelas, triângulos, até esgotar num instante todas as combinações possíveis, e outras personagens entrem em cena: um cego com um guepardo na coleira, uma cortesã com um leque de penas de avestruz, um efebo, uma mulher-canhão. Assim, entre aqueles que por acaso procuram abrigo da chuva sob o pórtico, ou aglomeram-se sob uma tenda do bazar, ou param para ouvir a banda na praça, consumam-se encontros, seduções, abraços, orgias, sem que se troque uma palavra, sem que se toque um dedo, quase sem levantar os olhos.
Existe uma contínua vibração luxuriosa em Cloé, a mais casta das cidades. Se os homens e as mulheres começassem a viver os seus sonhos efêmeros, todos os fantasmas se tornariam reais e começaria uma história de perseguições, de ficções, de desentendimentos, de choques, de opressões, e o carrosel das fantasias teria fim."
Italo Calvino

domingo, dezembro 06, 2009

Nada para se fazer é sempre algo para se fazer

Mesmo que seja dar um passeio pela USP à luz da Lua; colher um lírio de dentro do carro, coitadinho; chegar no monumento em frente ao Ipen, olhar para cima, para aquele céu cheio de nuvens revoltas, e contrastar as colunas enormes com o céu cinzentazul; confundir o sexo das esculturas; parar o carro para o morcego pousado no meio da pista; descobrir que o morcego é uma coruja, e estacionar para admirar esse animal tão pequenino e curioso; correr em meio aos lírios para (es)colher o mais bonito; desejar poder tirar fotos de todas essas coisas, e não poder porque é noite e o celular não consegue compensar a luz; fazer a promessa um novo passeio com uma câmera de verdade; deitar e observar um céu estrelado se apagar; não perder nenhum segundo desta saga incrível; pôr um anjo para dormir e niná-lo até o sono bater; sair de fininho para não acordá-lo.

Sempre tem algo pra se fazer.
But when it's after 2am, just go to sleep.

segunda-feira, novembro 30, 2009

6am - guess where I am?

No wonder I slept till 10'...

Conversa boa, super interessante, flúida. Pessoa maravilhosa, carinhosa, interessada. Pães de batata e massagem nas mãos.
Alguém precisa de mais que isso?

Bom sono pra quem ainda dorme.

sexta-feira, janeiro 07, 2005

Foi bom

Estava com saudades... ainda estou, mas o coração aperta um pouco menos por saber que estão todos bem e que nada mudou (não que a mudança seja ruim, mas a manutenção traz uma certa segurança), que também tinha gente com saudades de mim. É bom se sentir querido. É raro.
Foi bom sentir o abraço apertado dos amigos, ouvir as vozes e piadas infames (principalmente as minhas), ver a amizade transbordando. Foi legal visitar a Ludi e o Luque, quando nenhum dos dois esperava algo assim. Ambos abriram um sorriso confuso e surpreso, mas ao mesmo tempo muito satisfeito e... posso dizer feliz. Agradecido.

Mas a melhor parte foi revê-la, abraçá-la e saber que o que sinto não diminuiu nem um pouco, ao contrário: apenas aumentou impulsionado pela imensa saudade. E pela primeira vez não senti medo de voltar e não encontrar o carinho que uma vez recebi. Senti, sim, algum tipo de medo. Medo de mim mesmo, da minha instabilidade emocional, da instabilidade do meu coração. Mas acho que essa dúvida foi embora, passou. Passou quando eu percebi que além de tudo, somos bons amigos.
Quero e não quero mudar tudo isso, ainda estou perdido, acho que sempre estarei. É essa minha mania de ser precipitado, querer sempre uma estabilidade imbaleável, imutável. Se as coisas não mudam, vira rotina, e rotina é chata. Entediante. Precisa mudar, não pode haver essa estabilidade perfeita. Não .
Vou deixar as coisas acontecerem do jeito que acontecerem, sem medo de me precipitar e sem medo de errar. Porque eu sei que vou errar, porque sou humano, e o humano erra. Mas não tenho medo porque vou fazer o que puder pra corrigir esse erro. Não farei o impossível, farei apenas tudo o que estiver ao meu alcance.
Foi bom perceber que gosto dela de verdade. Que choro de felicidade por saber que ela gosta de mim e não de tristeza por não tê-la aqui do meu lado. Que ela está ao meu lado, me dando carinho, me apoiando, me segurando (mesmo sem saber) quando acho que vou cair. Que estou feliz.
Obrigado...

Beijos e abraços.